Fundos Imobiliários no planejamento financeiro pessoal

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Algo interessante sobre o assunto finanças pessoais é que ele tem tem dois vieses. Um é o financeiro, nele há convergências de ideias, afinal a lógica financeira não é tão complexa. O segundo é o viés pessoal, aqui sempre haverá mais divergências. Cada indivíduo tem seus próprios sonhos, receios, experiências e opiniões.

Portanto, não há unanimidade em finanças pessoais.

Esse site é sobre Fundos Imobiliários. Na minha visão, eles podem ser uma opção de ferramenta no planejamento financeiro pessoal. Em três funções principais:

  • Renda para a aposentadoria ou independência financeira;
  • Ativo ideal para a educação financeira dos filhos;
  • Renda para pagar a educação dos filhos.

Algumas ressalvas importantes:

  1. Não vá pra a renda variável (Fundo Imobiliário é renda variável) antes de colocar suas finanças pessoais em ordem. Muita disciplina e controle emocional são exigidos na renda variável. Primeiro organize suas contas, gaste menos do que ganha e, principalmente, invista a diferença. Comece pela renda fixa.
  2. Não vá para renda variável se não estiver disposto a estudar e assumir responsabilidades pelas suas decisões de investimento.
  3. Não estou recomendando que você invista somente em Fundos Imobiliários, esse artigo é um convite à reflexão sobre como eles podem auxiliar no planejamento financeiro pessoal.

Se você ainda não investe na bolsa, sugiro ler o artigo “Fundos Imobiliários: a melhor maneira de iniciar na Renda Variável”.


Aposentadoria e independência financeira 

Os conceitos de aposentadoria e independência financeira são bem semelhantes: conseguir viver da renda gerada pelo patrimônio que você possui.

Infelizmente, muita gente não se planeja para parar de trabalhar e, ao se aposentar, passa a depender de favores para sobreviver ou reduz drasticamente a qualidade de vida. Por outro lado, esse quadro não é unânime. Há pessoas fazendo um planejamento financeiro tão bom que conseguem viver da renda gerada pelo patrimônio acumulado, antes mesmo da terceira idade. Esse é o cenário ideal.

Atingir cedo a independência financeira não significa, necessariamente, parar de trabalhar. Mas poder trabalhar apenas por prazer, com o que realmente gosta, quando e onde desejar, sem ter a dependência de um salário mensal e não ser escravo de um trabalho não prazeiroso.

Observe que acumular patrimônio não traz a independência financeira se o patrimônio não estiver gerando renda periódica. Você não pode contar com a sorte de conseguir vender parte do patrimônio ou realizar bons negócios para pagar suas contas mensais.

Na prática, independência financeira não é ter muito patrimônio, é ter fluxo de caixa suficiente.

Nessa necessidade de geração de fluxo de caixa, uma alternativa de investimento são os Fundos Imobiliários. Eles são obrigados a distribuir 95% do lucro aos cotistas, por praxe do mercado fazem isso mensalmente. Sim, estou falando de dinheiro entrando todos os meses na sua conta.

Ações, na média, não distribuem uma porcentagem tão alta dos lucros e de maneira tão regular. Imóveis podem ter desvantagens operacionais quando comparados aos Fundos Imobiliários (para saber mais sobre isso sugiro o artigo 8 vantagens dos Fundos Imobiliários sobre o investimento em imóveis ).

Mas não pense em comprar Fundos Imobiliários somente na fase da vida que necessitar de renda, utilizá-los para acumulação de patrimônio ao longo da vida, reinvestindo todos os meses os dividendos que receber, pode aumentar consideravelmente o resultado final.

Observe, na imagem a seguir, o retorno superior de dois Fundos Imobiliários ao longo de dez anos quando o reinvestimento dos dividendos é feito (azul escuro e vermelho) e faça a comparação sem o reinvestimento dos dividendos (verde e azul claro).

Fonte: Sistema Comdinheiro / autor

A geração periódica de fluxo de caixa também pode ser utilizada pelo investidor em emergência financeiras eventuais, sem que seja necessário a venda ou resgate de outros ativos.


Educação financeira dos filhos 

Alguns pais têm o hábito de dar mesada aos filhos, outros dão um prêmio em dinheiro após a realização de alguma tarefa, uma opção é abrir uma conta em uma corretora e investir a mesada em Fundos Imobiliários, deixado a criança ou adolescente gastar apenas os rendimentos mensais. Com isso você pode ensinar algumas lições:

  • Educar no sentido de que quanto mais poupar mais irá receber;
  • Despertar desde cedo o hábito da poupança, investimento e a familiarização com finanças;
  • Colocar a matemática em prática ao fazer contas simples do capital acumulado, quanto irá receber, etc;
  • Ensinar que o mercado de capitais financia a atividade produtiva e que ser investidor contribui com o desenvolvimento do país gerando empregos e impostos.
  • E o mais importante, ensinar que investir não é sobre acumular patrimônio, é sobre liberdade.

Fundos Imobiliários são fáceis de explicar, seu filho(a) irá entender que o dinheiro que ele está recebendo vem do aluguel de imóveis que ele(a) é sócio. Dependendo de onde você reside e dos fundos que você investir, é possível até mostrar pessoalmente alguns dos imóveis.

Se você tem alguma educação financeira, com certeza já percebeu os benefícios que isso trás pra sua vida. Passe para a próxima geração.


Renda para pagar a educação dos filhos

Pais pensam em como pagar a universidade dos filhos. Juntar dinheiro ao longo da vida é uma opção. Geralmente essa poupança é feita em fundos de previdência privada. Eles têm “a vantagem” de debitar mensalmente o dinheiro na sua conta e fazer aplicação automática (você realmente precisa desse automatismo?).

Infelizmente, muitos desses fundos de previdência cobram altas taxas de administração que corroem boa parte da rentabilidade ao longo dos anos.

De qualquer forma, eles acabam cumprindo, dependendo da sua capacidade de aporte, o objetivo. Em uma determinada hora, você irá regatar o dinheiro e pagar os estudos. Porém, depois do pagamento o dinheiro acabou.

Quem tem disciplina, responsabilidade e vontade de aprender a investir pode pensar em adquirir, ao longo da vida, ativos geradores de renda, (não necessariamente ou somente Fundos Imobiliários) e utilizar a renda para custear a formação dos filhos. Dessa forma, após a conclusão dos estudos, você ainda terá os ativos e a renda. Essa renda pode ajudar a custear a formação dos mais novos (caso você tenha), complementar sua aposentadoria ou complementar a renda do seu filho(a) recém formado.

Enfatizo que esse tipo de decisão exige responsabilidade. Não há garantias de sucesso ao investir por conta própria nem deixando o dinheiro nas mãos do banco. Porém, com a opção do banco, você pode culpar um terceiro.


Conclusão

Esse artigo é apenas um convite à reflexão. Pensar “fora da caixa” pode trazer ótimos resultados.

Como o próprio nome já diz, finanças pessoais é extremamente pessoal. De qualquer maneira, não pense em ir para a renda variável sem antes organizar suas contas e ter uma reserva de emergência. Se você tem problemas básicos com o seu planejamento financeiro pessoal, a renda variável não irá ajudar.

Por fim, investir por conta própria exige responsabilidade. Não há quem culpar, a não ser você mesmo, se falhar no planejamento da sua aposentadoria, educação dos filhos, etc.

Bons investimentos!

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